Conheça mais quatro artesãos que estarão na Feira Criativa do Festival ArteSol

Publicado em 19/11/2018

Durante os dias 22 a 25 de novembro, ao longo do Festival Artesol, os visitantes poderão participar da Feira de Artesãos e comprar objetos criados com técnicas tradicionais como cerâmica, bordados, trançado e entalhe, entre outras das mais diferentes comunidades do país diretamente com os autores das peças! São objetos feitos a mão cheios de alma brasileira!

Joias do Quilombo – Bahia

A palmeira de piaçava, abuntante nas roças de Ituberá, é matéria prima essencial para a produção do trançado e das biojóias pelo grupo Jóias do Quilombo de Lagoa Santa. A técnica do trançado mistura a ancestralidade dos índios e da cultura negra na comunidade Lagoa Santa, no baixo sul baiano, reconhecida como terra de remanescentes quilombolas desde 2015. Nas mãos de 15 jovens e senhoras do povoado, o trançado dá forma a cestos, bandejas, sousplats e potes com acabamento sofisticado e detalhes bordados em linhas de cores vibrantes. O grupo de artesãs que hoje atua na comunidade foi capacitada pela Cooperativa das Produtoras e Produtores Rurais da APA do Pratigi  – Cooprap com foco na geração de renda extra para a comunidade e também na valorização de técnicas ancestrais ligadas à indentidade e cultura quilombola.

Cooperativa dos Artesãos dos Lençóis Maranhenses – Maranhão

Com a fibra vegetal do buriti, palmeira nativa brasileira, o grupo trança bolsas, chapéus, toalhas, caminhos de mesa, jogos americanos, sandálias, bonés, colares, flores e objetos de decoração. O trançado da fibra do buriti é uma herança indígena que se tornou uma prática transmitida entre gerações pelas comunidades locais. As artesãs de Barreirinhas estão organizados enquanto Cooperativa dos Artesãos dos Lençóis Maranhenses – Artecoop. As cerca de 65 mulheres são de treze comunidades da região: Boa Vista, Baixão, Cebola, Guarimanzinho, Guarimã, Juçaral das Canoas, Marcelino, Manoelzinho, Morro Alto, Palmeira dos Eduardos, São José dos Sacos, Tapuio e Vigia.

Mestre Juão de Fibra – Goiás

O trançado de capim colonião é uma criação exclusiva do mestre Juão de Fibra e dos grupos capacitados por ele em Goiás. A cestaria de capim colonião especificamente chama atenção  pela delicadeza da trama com esse capim que é uma planta bastante rígida originária da África, mas muito comum no Planalto Central brasileiro. Trata-se de um trançado de quatro fios, feito a partir de capim coletado verde, em forma de um DNA humano, como explica o próprio Juão. Conhecido como Juão de Fibra, João Gomes é reconhecido no estado de Goiás como Mestre Artesão de Referência Cultural por ser um verdadeiro artista capaz de tramar com maestria, delicadeza precisão e autenticidade as fibras brasileiras. O seu trabalho ganha cada dia mais destaque nacionalmente pelo caráter autoral, inventivo e de alta qualidade que produzido por ele em parceria com um grupo familiar. Mais do que isso, Juão de Fibra é mestre compartilhar seus saberes e suas técnicas com diversos grupos de Goiás e outros estados em seu trabalho como instrutor do SENAR AR/DF.

Poloprobio – Polo de Proteção da Biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais – Pará

Encauchado de vegetais da Amazônia é o nome da borracha natural produzida em seringais nativos por comunidades indígenas e de caboclos, a partir da mistura do látex com fibras vegetais. O material foi desenvolvido através de pesquisas acadêmicas aliadas ao saber popular de seringueiros e outros moradores da floresta. O grande diferencial desses produtos é a tecnologia social que transformou o processo industrial de “vulcanização” (que origina a borracha) em um processo artesanal de manuseio do látex. Na prática, o composto base que seria usado na indústria é desidratado naturalmente e se transforma em borracha vegetal  no meio da floresta, com o moldes artesanais, sem necessidade de energia elétrica, máquinas ou estufas, ou seja, com uso racional de recursos naturais. O Polo Poloprobio é uma instituição que trabalha na área área ambiental com ações que aliam desenvolvimento comunitário, inovação e cultura. O foco é o fortalecimento de comunidades tradicionais e indígenas a partir de processos que dão ao produtor acesso à tecnologia e  o direito de empreender e  fabricar produtos prontos com maior valor agregado, ao invés de vender matéria-prima para a indústria. O grande objetivo é estimular os moradores da Amazônia a fazer uso de recursos naturais de forma racional. Entre os grupos envolvidos com a  produção dos encauchados estão, os moradores de terras indígenas da Amazônia Legal como, por exemplo, as terras Katukina/kaninawá de Nova Olinda no município de Feijó no Acre. A sede principal do instituto, porém, fica em Castanhal, no Pará.

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