Na manhã chuvosa do último dia 30 de agosto conseguimos observar 56 espécies de aves, um número excelente de registros.
O fato de estarmos bem no meio do período reprodutivo da maior parte das espécies (muitas estão com ninhos) e de algumas árvores estarem com frutos contribuiu muito. Na verdade a atração do dia ficou por conta não de uma fruteira, mas de uma árvore com flores, um belíssimo mulungu que mora atrás do bromeliário, perto do laguinho.
Os mulungus são árvores da famílas das leguminosas (gênero Erythrina), que produzem flores geralmente vermelhas (podem ser de cor laranja também) ricas em néctar. E é justamente por causa dessa bebida dos deuses que a passarinhada marca ponto no mulungu, principalmente nessa época do ano, mais seca e fria.
No passeio de sábado observamos como convidados para o banquete açucarado os dois sanhaços (o do-coqueiro e o cinzento), periquitos-ricos e tiribas, cambacicas, saíras-sete-cores, ferrugem e militar e os saís-azuis além é claro dos beija-flores (de-fronte-violeta e tesoura). Interessante notar que, como já apresentado em belo artigo dos amigos Ricardo Parrini e Marcos Raposo (em anexo), as estratégias das aves para obtenção do néctar nas flores do mulungu variam de acordo com as espécies e obviamente com os diferentes tipos de bicos.
Assim, as tiribas e periquitos, podem inserir seus bicos no interior da flor ou, mais normalmente, arrancá-las dos galhos e mastigá-las para obtenção do néctar. Já os beija-flores, saíras, saís e sanhaços geralmente não destróem as flores pois conseguem inserir seus bicos delicados e obter o néctar com a ajuda da língua. Interessante comportamento, conforme registrado por Parrini e Raposo, é o apresentado pelo sanhaço-cinzento, que além de se alimentar do néctar também ingere as pétalas das flores do mulungu.
Dessa forma, com a sucessão de florações e frutificações ao longo do ano no Jardim Botânico, as aves garantem seu alimento e mantém vivo o espetáculo de cores e de vida que tanto nos alegra.
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(Grupo - foto Hélio Pereira)
Ver
aqui (clique) o excelente documento "Associação
entre aves e flores de duas espécies de árvores do gênero Erythrina (Fabaceae)
na Mata Atlântica do sudeste do Brasil" de Ricardo Parrini &
Marcos A. Raposo
Até o próximo passeio.
Henrique Rajão
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